ARTIGOS

                                             O MISSIONÁRIO
E lhes recomendou: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da plantação que mande obreiros para fazerem a colheita. (Lucas 10:2)
Eu sou missionária, (Sou cabeleireira, assistente social e artesã) contundo uso minhas profissões e dons a serviço do Reino. Vivo no Sertão, na zona rural de Inajá - PE, *quando sou convidada para ministrar em conferências ou congressos, as igrejas pagam minhas despesas com deslocamento e alimentação. Como eu, vivendo há 12 anos como missionaria de tempo integral, iria me deslocar sem dinheiro em mundo capitalista? (Não tenho superpoderes, poderoso é Jesus Cristo). Há lugares aonde ministrei, e não recebi oferta alguma, ainda assim, voltaria, se fosse convidada. Por saber que o Senhor cuidará de mim.  (Não suporto estrelismo, ou endeusamento de líderes) mas, tratar bem o missionário, entender que ele deve viver com dignidade, é dever de todo cristão). No Brasil, é comum um missionário (a) ser tratado (a) como menos importante, que um pastor local, mesmo que o missionário (a) tenha o mesmo preparo teológico; e muitas vazes até uma graduação secular extra. (Estranho, não é?).
Parece pairar uma miopia coletiva, que impede a valorização do missionário, que deixa seu lugar de origem, família, e por vezes, abre mão até de uma carreira, para viver e servir ao próximo.
A revista ultimato já publicou um artigo muito interessante denominado: Missionário: maluco, mártir, mendigo ou o quê?
Disponível em: http://www.ultimato.com.br/…/missionario-maluco-martir-mend…
O problema de tratar o missionário como mendigo, é fruto de uma visão mesquinha e retrógrada! No Brasil, muitos missionários não saem para o campo como seu sustento garantido (como se pensa), isto é privilégio de poucos, bem poucos.
Sabe o que é incrível? Se você conversar com missionários, genuinamente cristãos, vai perceber que Deus tem cuidado deles; o faz usando pessoas, a criatividade deles, e os mantém no campo, nunca os desampara!
For fim, muitos perdem a oportunidade de ouvir histórias incríveis, e saber mais sobre a vivência missionária, por achar, que vai perder tempo ouvindo histórias. Na verdade, suas mentes estão cheias de nulidades, que assuntos espirituais não são tolerados.
Jesus deixou claro que a seara é grande, poucos são os ceifeiros...Meditar em textos sobre ao assunto, pode curar a miopia da alma, e nos fazer compreender que missão, é missão! Cada um de nós tem a oportunidade de descobrir a sua. 

A paz seja com todos. Filip.4.7.              *Por Joana D´arc Henzel

William Carey: Missão e Transformação Cultural
Rubens Muzio

Na introdução ao livro “The Legacy of William Carey” , o conhecido teólogo indiano Vishal Mangalwadi, demonstra como esse famoso missionário inglês, pastor batista e pai das missões modernas, foi mais do que simplesmente um típico missionário transcultural. Na verdade, ele foi um modelo de líder cristão preocupado com a transformação das culturas, castas e cosmovisões da Índia. Para você ter uma idéia da sua abrangência e influência, se alguém perguntasse nas Universidades Indianas: “Quem foi William Carey?” aconteceria mais ou menos o seguinte:

• Estudantes dos departamentos de Letras, Literatura e Educação o reconhecem como o 1º tradutor dos grandes clássicos religiosos da literatura indiana, como o Ramayana e o tratado filosófico Samkhya na língua inglesa. Willian Carey traduziu e publicou a Bíblia em 40 línguas diferentes! Ele fundou a 1ª Faculdade Asiática em Serampore, perto de Calcutá; foi professor de Bengali, Sânscrito e Marathi no Fort William College em Calcutá e escreveu o 1º dicionário de sânscrito para estudiosos. Além disso, ele começou dezenas de escolas para crianças de todas as castas. Por mais de 3 mil anos a cultura religiosa proibiu a maioria dos indianos do acesso ao conhecimento, estratégia das altas castas para controlar as castas inferiores. Carey demonstrou tremendo poder espiritual contra os sacerdotes e religiosos. Carey escreveu baladas do evangelho em Bengali para atrair aos cultos hindus que amavam a música e transformou o Bengali – considerada apta somente para mulheres e demônios – na língua mais importante da Índia. Seu objetivo sempre foi criar uma literatura vernácula, nacional.

• Estudantes de história o têm como pai da renascença indiana nos séculos XIX e XX. O ápice intelectual, artístico, arquitetônico e literário da Índia hindu do século XI cessou e declinou com o monismo de Adi Shankaracharya. Todo o racionalismo, modernismo, temas científicos e tudo o mais que enriquece a cultura tornou-se suspeito dentro da cultura. Asceticismo, misticismo, ocultismo, superstição, idolatria, feitiçaria formaram a estrutura e visão de mundo da cultura indiana. Isso tudo em meio a exploração estrangeira e controle Europeu. Carey viu a Índia como um país amado por Deus, onde a verdade deveria reinar. O movimento de Carey culminou no surgimento do nacionalismo indiano e subseqüente movimento pela independência.

• Estudantes de economia o apontam como o precursor da idéia da poupança, um homem que lutou contra a avareza, a cultura de propinas e a usura da época. Juros entre 36-72 % tornam investimentos, indústria, comércio impossíveis, dizia ele! Ele pregou ética na economia e buscou incrementar as relações econômicas entre a Índia e Inglaterra numa época de xenofobia;

• Estudantes de engenharia o tratam como um industrial, que trouxe a máquina a vapor para a Índia, animou os ferreiros a fazerem cópias de
suas máquinas; o 1º a utilizar papel indiano para publicação;

• Estudantes de ecologia garantem que Carey foi o 1º a escrever artigos sobre a floresta indiana quase 50 anos antes do governo começar suas tentativas de conservação ambiental em Malabar. Ele defendeu o cultivo da madeira dando conselhos práticos em como plantar árvores com propósitos ambientais, agricultura e comerciais. Deus nos fez responsáveis por toda a terra!

• Estudantes de agronomia o tratam como o fundador da sociedade Agricultura e Horticultura em 1820, 30 anos antes da Sociedade Real de Agricultura ser estabelecida na Inglaterra. Carey fez sistemáticas pesquisas da agricultura e intensas campanhas pela reforma agrária. Tudo isso, por estar horrorizado pelo fato de 3/5 deste bonito país se tornara uma grande selva não cultivada e cheia de feras e serpentes; ele publicou os primeiros livros sobre ciência e história natural na Índia, trouxe o sistema de jardinagem Linnaen e inspirou o nome dum dos 3 eucaliptos da Índia: Careya Herbacea. Ele freqüentemente palestrou sobre ciência e mostrou como insetos não seriam almas aprisionadas, mas criaturas valiosas de atenção;

• Estudantes de medicina lembram que Carey realizou a 1ª campanha por um tratamento digno aos leprosos. Naquela época eles eram queimados ou enterrados vivos pela crença que um corpo, com um fim violento, transmigraria para uma existência saudável. “Jesus tocou os leprosos”, dizia Carey

• Estudantes de comunicação e marketing o honram como pai da tecnologia da impressão. Ele trouxe a imprensa e publicação e ensinou a utilizá-la além de estabelecer o 1º Jornal em língua oriental, Friend of India, uma força que impulsionou o movimento de reforma social na 1ª metade do XIX.

• Estudantes de sociologia e dos direitos da mulher lembram que ele fez pesquisas sociológicas e publicou artigos para levantar protestos em Bengali e Inglaterra. Ele foi o 1º a levantar-se contra os assassinos cruéis e opressores da mulher indiana. Os homens destruíam as mulheres através da poligamia, genocídio infantil, casamento infantil, queima de viúvas (sati), eutanásia e analfabetismo feminino. Todos esses sancionados pelo hinduísmo e outras religiões. Ele persistiu 25 anos contra o sati até que o edito de 1829 baniu essa prática, alem de abrir escolas para moças e arranjar maridos para viúvas convertidas;

• Estudantes de filosofia asseveram que William Carey reviveu a antiga idéia de que ética e moralidade estão inseparavelmente ligados à religião, enquanto muitos na época separavam a espiritualidade de moralidade. Ele reafirmou que os seres humanos são pecadores e precisam de perdão. Esse ensino revolucionou a espiritualidade indiana que enfatizava meramente a experiência mística individualista;

• Estudantes de astronomia sabem que Carey introduziu o estudo da astronomia na Índia. Ele não acreditava que os astros eram deuses que governavam a vida das pessoas. Profundamente preocupado com os desdobramentos culturais da astrologia: fanatismo, superstição, ele lembrou que homens foram criados para governar a natureza e não vice-versa. Sabia que o sol, lua e planetas são criados para manifestar a glória de Deus e ajudam a dividir as estações, anos e meses e definir direções (norte, sul, leste, oeste). A astronomia liberta enquanto a astrologia aprisiona!

• Estudantes de biblioteconomia o aceitam como o pioneiro no empréstimo de bibliotecas para a Ásia. Enquanto os navios britânicos importavam armas e soldados, Carey trouxe livros educativos e sementes nestes mesmos navios. “Livros libertam”, dizia Carey!

Como você pode perceber, William Carey desejava que o Evangelho de Cristo influenciasse todas as áreas do conhecimento e penetrasse todas as esferas sociais. Ele possuía uma profunda convicção de que o Reino de Deus deve impactar e transformar os valores, as ciências, as idéias, as atitudes e a mentalidade do povo.
Como cristãos, não podemos apenas “salvar almas”, abençoar pessoas espiritualmente (se bem que espiritualmente não signifique “fora do corpo”, alma etérea, mas sim uma ação do Espírito de Deus sobre a vida). Parece que esta ainda é a tendência vigente em muitas igrejas e projetos cristãos: fiquemos com nossas igrejas ambientadas, cultos modernizados e programas contemporâneos! E o mundo lá fora? Que se lixe, que vá para ao inferno!?! Bem, nunca foi essa escatologia escapista ou teologia fatalista que marcaram a visão de William Carey e de muitos outros santos e sábios missionários, encorajados pelo evangelho integral do Senhor Jesus Cristo, bem como do seu irmão Tiago e do apóstolo Paulo de Tarso.
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Rubens Muzio é missionário da Sepal Sul.
http://veredasmissionarias.blogspot.com.br/2008/01/william-carey-misso-e-transformao.html

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