sábado, 29 de janeiro de 2011

O SÍTIO DAS BAIXAS - MUNICÍPIO DE INAJÁ / PE

O Sítio das Baixas fica no município de Inajá divisa com Manari PE no Sertão do PE. Nos foi oferecido um terreno para que construíssemos um espaço físico para realização de atividades.
O Alicerce foi feito por eu, meu esposo e mais 3 voluntários.
Já havíamos ido outras vezes ao sítio, soubemos que há muitas crendices e superstições por lá... Antes do natal em 2010 fomos entregar cestas para as famílias, foi marcante realizar um louvorzão embaixo das algarobas.
Distante uns quilômetros desse sítio há um Senhor que já foi evangelizado e está aberto para as coisas de Deus. O Seu Zé preto e esposa... Ele ofereceu um espaço nas suas terras para que construíssemos um local para nossas atividades.
Como não havia recursos ficamos apenas orando... foi conosco no dia da entrega de cestas de natal dia 04 de dezembro, um jovem empresário cristão que ao voltar para casa compartilhou com pessoas da sua família como era nosso trabalho ali... disse que sentiu vergonha de ser um cristão e nada fazer... Ele viu que fazia uns 42 graus e realizávamos a ação sem nenhuma estrutura física para mulheres e crianças se protegerem do sol. Na hora de enfileirar as pessoas para receber as cestas de natal, enfim... Algumas semanas se passaram e fomos procurados para saber de quantos tijolos, telhas e cimento precisamos para a construção... Explicamos que seria uma construção simples apenas para apoio nas atividades lá... Eles compraram os materiais e mandaram entregar no local...

sábado, 8 de janeiro de 2011

O POVO BRASILEIRO SEMPRE PAGA A CONTA


 08/01/11 - 10h - Deputados e seus parentes usam direito a passaporte diplomático para fazer turismo, relata jornal paulista
O jornal “O Estado de São Paulo” diz hoje que “a regra para emissão de passaportes diplomáticos tem sido usada pelos deputados e parentes para conhecer o mundo e literalmente fazer turismo”. Pelo menos 2 terços desses passaportes solicitados pela Câmara dos Deputados ao Itamaraty, entre fevereiro de 2009 e este começo de ano, foram para mulheres, maridos e filhos dos parlamentares. Desde 2009, a Segunda Secretaria da Câmara solicitou 662 vistos para viagens de deputados e parentes que têm o documento especial. Desses, 577 foram para "turismo", segundo o jornal. O Senado informou que requereu ao Itamaraty nos últimos 2 anos a emissão de "70 a 80" passaportes especiais. O total de documentos diplomáticos solicitados pelo Senado anualmente ou nos últimos 8 anos é mantido em sigilo.

          FARRA DAS PASSAGENS  E AS VIAGENS PAGAS PELOS CONTRIBUINTES
Dirigentes e líderes partidários financiaram dezenas de viagens ao exterior de familiares e amigos, revela reportagem publicada na edição deste domingo da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
A partir de uma lista de bilhetes aéreos obtida pela reportagem assinada pelos jornalistas Leonardo Souza, Adriano Ceolin e Eduardo Scolese, foi constatado que nomes como Mário Negromonte (PP-BA), José Carlos Aleluia (DEM-BA), Ricardo Berzoini (PT-SP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) beneficiaram parentes com bilhetes áreos pagos pela Casa.
Além deles são citados Ciro Gomes (PSB-CE), ex-candidato ao Planalto; José Genoino (PT-SP), ex-presidente do PT; Armando Monteiro Neto (PTB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria; e Vic Pires (DEM-PA), ex-candidato a corregedor da Câmara.
Os deputados alegam que o regimento não proíbe esse tipo de uso. As medidas anunciadas nessa semana não fazem referências a viagens para o exterior.
Outro lado
Maia confirmou que cedeu passagens aéreas de sua cota pessoal para parentes. "Foram viagens em que coincidiram passeio e trabalho", alega.
Aleluia confirmou ter viajado com a mulher e filho com verba da Casa. Irritado, defendeu que é preciso haver tratamento igualitário entre Legislativo e Executivo, já que a primeira-dama Marisa Letícia viaja com o presidente Lula.
Pires disse que devolverá as passagens se preciso e Neto disse que a emissão das passagens se sustenta em normas da Câmara. Negromonte disse que somente conseguiu emitir passagens a Nova York para ele e cinco familiares por ter economizado com viagens à Bahia.
Já Monteiro Neto disse que a emissão das passagens se sustenta em normas da Câmara.
Genoino, Ciro e Berzoini não foram localizados.
Leia a reportagem completa na Folha deste domingo, que já está nas bancas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

MISTÉRIO NA MORTE DE PEIXES E PÁSSAROS NOS ESTADOS UNIDOS

As autoridades de saúde americanas continuam bastante intrigadas com a misteriosa morte de milhares de pássaros e peixes que ocorreu na noite de ano novo.
A causa provável da morte dos pássaros segundo investigações preliminares pode ter sido trovões e raios já que houve várias tempestades na região do estado do Arkansas onde ocorreu o misterioso evento.
Essa possibilidade foi cogitada pelo Dr. George Badley, veterinário da Comissão de Avicultura e Pecuária do Arkansas em entrevista a rede ABC. Segundo ele, o blackbird (melro) é um pequeno pássaro preto que tem o hábito de voar em grandes grupos. Eles poderiam ter sido pegos por uma tempestade e até mesmo serem atingidos por raios o que teria provocado suas mortes.
Essa hipótese ganha ainda mais peso a medida que são reveladas as primeiras informações sobre as condições dos corpos dos animais encontrados mortos. Praticamente todos tinham sinais de hemorragias internas o que sugere alguma espécie de trauma físico e não uma doença.
Além disso o fato de que as aves traziam o estômago vazio torna improvável que tenha ocorrido alguma espécie de envenenamento ou intoxicação alimentar.
Agentes de saúde trajando roupas especiais ainda estão recolhendo as carcaças das aves e enviando para serem analisadas em laboratórios. Os pássaros caíram na noite de sexta-feira e até o último domingo os funcionários já haviam recolhido mais de 2 mil pássaros mortos, todos encontrados num raio cerca de 1 km dentro da cidade de Beebe, a 40 Km de Little Rock no Arkansas.
Segundo o prefeito local, os agentes estão tratando a questão como um caso de rotina, e que não estariam com medo de que tenha ocorrido alguma espécie de contaminação.
Considerando que essa espécie de pássaro tem hábitos diurnos e limitada visão noturna uma outra explicação para o mistério é a de que a queima de grande quantidade de fogos de artifício durante a passagem de ano possa ter assustado os pássaros vindo a matar-lhes por stress.
As lesões encontradas nos corpos das aves se localizavam na altura do peito apresentando coágulos de sangue e hemorragia interna. A autópsia realizada nas carcaças mostrou que os animais pareciam saudáveis com todos os principais órgãos normais, embora ainda se espere pelo resultado do exame de sangue em andamento.
Essa não foi a primeira vez que pássaros caíram do céu no estado americano do Arkansas. Em 1973 na cidade de Stuttgart uma chuva de granizos vitimou vários pássaros. Também em 2001 uma tempestade de raios matou vários patos em Little Rock.
Além da misteriosa morte dos pássaros, o último final de semana também teve a morte de dezenas de milhares de peixes. Nas proximidades da cidade de Ork, a 125 km de Beebe, apareceram peixes mortos boiando ao longo de 20 Km do Rio Arkansas.
Autoridades locais já descartaram qualquer relação entre a morte dos peixes e dos pássaros. Conforme informaram que aproximadamente a cada dois dias ocorre alguma mortandade de peixes nos Estados Unidos, principalmente no verão onde a oxigenação da água é bem menor.
No inverno, a mudança brusca de temperatura também pode causar a morte de peixes.
Algumas amostras dos peixes foram enviadas a laboratórios para tentar identificar qual teria sido a causa da morte.
(foto do blackbird morto: site ABC News )
Referência: http://abcnews.go.com

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CONHEÇA AS BELEZAS DO SÍTIO TOTORÓ / RN

Um Oásis no meio do Sertão! É assim que podemos chamar esse pedacinho do Nordeste brasileiro localizado no município de Currais Novos, no estado do Rio Grande do Norte. O Pico do Totoró que mede 275 metros de altura,  está próximo a um enorme lajedo e belas paisagens naturais chama atenção pela beleza.
O açude público Totoró, fica a 5 km da cidade, é o local perfeito para o banho e a pesca. No Açude Totoró, encontra-se a Lagoa dos Santos, a Pedra do Sino (recebeu este nome por emitir o som de um sino ao ser tocada, está localizada em um sítio arqueológico de lagoa dos santos), a Pedra do Caju (com o formato da referida fruta) e a Pedra do Navio, de onde se pode ter uma visão panorâmica da cidade.

 A pedra do caju está localizada dentro do açude em uma pequena ilhota tem cerca de 5 metros de altura e 4 de diâmetro, segundo geólogos, a referida pedra está em posição quase impossível de manter se em equilíbrio... o tempo passa é que ela continua desafiando a gravidade e impressionando turistas.
Outras duas formações rochosas chamam a atenção dos visitantes; a Pedra que tem o formato de um frasco com tampa e que parece uma castanha de caju.
Alguns ainda ressaltam a “pedra do Dolmem” que quer dizer “mesa de pedra” ou pedra do navio, um monumento natural que segundo historiadores existe somente outra formação semelhante a essa, está localizada na Grã Bretanha.


 Uma pedra ainda desconhecida de muitos visitante é essa da foto ao lado. Está localizada na propriedade de meus tios no Totoró, ela parece uma castanha de cajú.
              OUTRAS REPORTAGENS SOBRE  A REGIÃO
A Pedra Rasgada, em Currais Novos, guarda um enorme acervo de inscrições rupestres de tradição Nordeste, datadas de 12 a 18 mil anos.
Encravada no sertão do Seridó, Currais Novos é uma cidade com um potencial turístico ainda para ser lapidado, recheado de histórias e bravura entre índios e colonizadores. O município faz parte do “Roteiro Seridó”, oferecendo várias opções de encantamento para o visitante.
Figuras rupestres, minas de schellita, trilhas ecológicas (...) entre outros atrativos, fazem de Currais Novos o lugar ideal para aqueles que querem sentir a presença constante das mais legítimas tradições sertanejas.
Há um roteiro ao Sítio Arqueológico Totoró que é imperdível. Na Pedra Rasgada e na Pedra do Letreiro podem ser observadas figuras rupestres datadas, aproximadamente, de 12 a 18 mil anos, em representações de seres humanos, marcas de mãos e figuras geométricas. No sítio, há trilhas pela caatinga para conhecer a Lagoa do Santo, onde poderá visitar a Pedra do Caju, a Pedra do Sino, a Pedra do Navio e o Pico do Totoró.
                                   TOTORÓ SOBRE  TELA

Dimensões: 100cm x 90cm
Técnica: Óleo sobre Tela
Valor: R$ 500,00
Status: VENDIDO
Como adquirir: adrianosantori@yahoo.com.br
Fone: 8826-3563

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

OSSUÁRIO DO IRMÃO DE JESUS É VERDADEIRO

Ela pesa 25 quilos. Tem 50 centímetros de comprimento por 25 centímetros de altura. E está, indiretamente, no banco dos réus de um tribunal de Jerusalém desde 2005. A discussão em torno de uma caixa mortuária com os dizeres “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” nasceu em 2002, quando o engenheiro judeu Oded Golan, um homem de negócios aficionado por antiguidades, revelou o misterioso objeto para o mundo. A possibilidade da existência de um depositário dos restos mortais de um parente próximo de Jesus Cristo agitou o circuito da arqueologia bíblica. Seria a primeira conexão física e arqueológica com o Jesus do Novo Testamento. Conhecido popularmente como o caixão de Tiago, a peça teve sua veracidade colocada em xeque pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA). Em dezembro de 2004, Golan foi acusado de falsificador e a Justiça local entrou no imbróglio. No mês passado, porém, o juiz Aharon Far¬kash, responsável por julgar a suposta fraude cometida pelo antiquário judeu, encerrou o processo e acenou com um veredicto a favor da autenticidade do objeto. Também recomendou que o IAA abandonasse a defesa de falsificação da peça. “Vocês realmente provaram, além de uma dúvida razoável, que esses artefatos são falsos?”, questionou o magistrado. Nesses cinco anos, a ação se estendeu por 116 sessões. Foram ouvidas 133 testemunhas e produzidas 12 mil páginas de depoimentos.

Especialista em arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Rodrigo Pereira da Silva acredita que todas as provas de que o ossuário era falso caíram por terra. “A paleografia mostrou que as letras aramaicas eram do primeiro século”, diz o professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). “A primeira e a segunda partes da inscrição têm a mesma idade. E o estudo da pátina indica que tanto o caixão quanto a inscrição têm dois mil anos.” O professor teve a oportunidade de segurá-lo no ano passado, quando o objeto já se encontrava apreendido no Rockfeller Museum, em Jerusalém.
Durante o processo, peritos da IAA tentaram desqualificar o ossuário, primeiro ao justificar que a frase escrita nele em aramaico seria forjada. Depois, mudaram de ideia e se ativeram apenas ao trecho da relíquia em que estava impresso “irmão de Jesus” – apenas ele seria falso, afirmaram.
A justificativa é de que, naquele tempo, os ossuários ou continham o nome da pessoa morta ou, no máximo, também apresentavam a filiação dela. Nunca o nome do irmão. Professor de história das religiões, André Chevitarese, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, levanta a questão que aponta para essa desconfiança. “A inscrição atribuiria a Tiago uma certa honra e diferenciação por ser irmão de Jesus. Como se Jesus já fosse um pop star naquela época”, diz ele. Discussões como essa pontuaram a exposição de cerca de 200 especialistas no julgamento. A participação de peritos em testes de carbono-14, arqueologia, história bíblica, paleografia (análise do estilo da escrita da época), geologia, biologia e microscopia transformou o tribunal israelense em um palco de seminário de doutorado. Golan foi acusado de criar uma falsa pátina (fina camada de material formada por microorganismos que envolvem os objetos antigos). Mas o próprio perito da IAA, Yuval Gorea, especializado em análise de materiais, admitiu que os testes microscópicos confirmavam que a pátina onde se lê “Jesus” é antiga. “Eles perderam o caso, não há dúvida”, comemorou Golan.
O ossuário de Tiago, que chegou a ser avaliado entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões, é tão raro que cerca de 100 mil pessoas esperaram horas na fila para vê-lo no Royal Ontario Museum, no Canadá, onde foi exposto pela primeira vez, em 2002. Agora que a justiça dos homens não conseguiu provas contra sua autenticidade, e há chances de ele ser mesmo uma relíquia de um parente de Jesus, o fascínio só deve aumentar.
(IstoÉ)
Nota: Na verdade, esse assunto deveria ser capa da IstoÉ, mas preferiram falar sobre “sedução”. Estaria a mídia tão seduzida pelo naturalismo/secularismo que prefere não destacar matérias que confirmam fatos relacionados com o cristianismo? Isso mereceria também reportagem de capa na Superinteressante ou na Veja, não acha? É esperar para ver...[MB]

domingo, 2 de janeiro de 2011

O BRASIL, OS DIAMANTES, E SUAS "NAÇÕES" INDÍGENAS

A cada dia fica mais evidente a maluquice do governo Lula ao tentar transformar a região de Raposa Serra do Sol numa área contínua de reserva indígena. Não fosse a história demonstrar que a presença do branco na área remonta ao século 19; não fossem as evidências de fraude no tal laudo antropológico que dá amparo técnico à decisão; não fossem as provas factuais de que os índios já não vivem mais como seus antepassados, há a questão, sim, estratégica — e não diz respeito apenas ao controle das fronteiras. A região é rica em ouro, diamante e especialmente nióbio. O mapa das riquezas minerais tem uma exata coincidência com o mapa das reservas — tanto a ianomâmi como, agora, a Raposa Serra do Sol.
O qüiproquó todo se deu por causa dos arrozeiros, que resolveram resistir. Mas eles ocupam uma área ridiculamente pequena: apenas 0,7% de toda a reserva, onde se produzem 159 mil toneladas de arroz. Os índios vivem da agricultura, da pecuária e, como ficou evidente na reportagem do Jornal da Globo, do garimpo, uma atividade proibida por ali. A reportagem surpreendeu dois índios — falando com todos os esses e os erres de quem domina o português há gerações — na beira do rio. Duas ou três mergulhadas da batéia na água, e o ouro aparece.
É grotesco que essa questão esteja em debate quando há uma crise no Ministério do Meio Ambiente e se fale em desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ora, o que se entende por isso? Fechar os índios num jardim zoológico? Esse é o sonho de alguns antropólogos desmiolados. Tão logo os “brancos” saiam dali — se tiverem de sair —, há, isto sim, o risco de uma guerra civil entre os índios. Esqueçam: a noção de propriedade da chegou à região. Eles estão em busca de atividades que rendam lucro, como em qualquer economia capitalista. Não se vai realizar ali o sonho edênico da propriedade coletiva. E vão, como qualquer ser humano, buscar as atividades mais rentáveis.
A verdade é que a “causa” Raposa Serra do Sol vocaliza a militância de uma único grupo: o Conselho Indígena de Roraima (CIR), que é financiado por ONGs — duas em especial: a Fundação Ford, como já demonstrei aqui, e a The Nature Conservancy, que recebe dinheiro dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e França. Sua representante falou ao Jornal da Globo. A ONG auxilia os índios a encontrar áreas para a agricultura, pecuária e, pasmem!, mineração. Só que, por enquanto, o governo brasileiro proíbe a mineração na região.
Mas e daí? O governo brasileiro proíbe, e as ONGs estimulam. E como é que o Planalto resolveu tomar conta, enfim, do seu território? Ora, expulsando de Raposa Serra do Sol os não-índios. É uma estupidez. Ademais, a própria CIR diz reunir pouco mais de sete mil indivíduos — dos 19 mil que vivem lá. Como já é um organismo político, é bem possível que tenha muito menos gente. Mas que se dê de barato: ainda assim, trata-se de uma minoria.
Não adianta tentar dourar a pílula. O Brasil é signatário da tal Declaração dos Povos Indígenas, da ONU. Isso quer dizer que o governo está de acordo com os seus pressupostos (...)
Não há ambigüidade nenhuma aí. As coisas são o que são. Essa é a causa das ONGs da região, em parceria com o Conselho Indigenista Missionário, a facção da Igreja Católica ligada ao que chamo de “Escatologia da Libertação”. Vocês sabem, não? Se deixássemos a agricultura por conta dos “padres progressistas”, a fome certamente já teria matado uns três quartos da humanidade.
A delimitação da reserva Raposa Serra do Sol nasce de uma fraude técnica. A causa alimenta-se do equívoco, quiçá da cupidez. E o país não terá um bom futuro se continuar a jogar brasileiros contra brasileiros, pouco importa a sua origem. Ou a cor de sua pele.
Que o STF aja com sabedoria!
As riquezas da terra e quem defende o quê
O Jornal da Globo levou ao ar, na noite de ontem, a terceira e última reportagem da série sobre a reserva Raposa Serra do Sol. Leiam com atenção. Para assistir ao vídeo, clique aqui. Comento no post seguinte:
Na Raposa Serra do Sol, o horizonte parece infinito e a riqueza sem limite. “Tem muito ouro e diamante, então é mais por isso que querem essa área”, diz a wapixana Maria Antonia dos Santos.
E quem não quer um pedaço dessa terra? Planícies ideais para o cultivo de arroz, sobra espaço no lavrado para a criação de gado e basta percorrer estradas, perto de belíssimos rios e cachoeiras, para encontrar outras riquezas.
No banho do Paiuá, um dos pontos turísticos do município do Uiramutã., recentemente, o serviço geológico do Brasil fez furos nas rochas a procura de minerais. E dias atrás, garimpeiros foram retirados da areia, eles estavam à procura de ouro.
Na praia, usada nos fins de semana por moradores de Uiramutã, foi aberto um grande buraco. “Estavam lavando essa terra e pegando ouro, bastante ouro. Foi preciso que a gente viesse aqui e conversasse com eles que esse aqui é o banho da cidade e não poderia ser degradado dessa forma”, conta Miguel da Silva Araújo, secretário de Agricultura de Uiramutã
Em outro lugar, perto de onde cristais brotam do chão, encontramos equipamentos usados no garimpo, atividade proibida na reserva. Procuramos um pouco mais e finalmente, descendo a ladeira, vemos dois homens trabalhando dentro d´água. Observamos com paciência e alguns minutos depois surgem vários pontos dourados brilhando no fundo da batéia. “Todo dia, tem vezes que a gente faz dois gramas, três gramas. Tem semana que é assim 10, 14, 15 gramas”, conta o índio macuxi Edson da Silva.
Um mapa de Roraima feito pelo serviço geológico do Brasil, do Governo Federal, mostra que as principais reservas minerais do estado ficam localizadas sobre as reservas Yanomami e Raposa Serra do Sol. Tem ouro, diamante, nióbio e outros minerais nobres.
Com a demarcação em área contínua, fazendeiros e não índios terão que sair da reserva. Fato que preocupa o governador de Roraima. José de Anchieta Filho acredita que a fronteira ficará desprotegida. “Nós temos aqui cerca de 960 quilômetros de fronteira com a Venezuela e mais 960 quilômetros com a Guiana Inglesa. Se permitirmos que isso aconteça, o que vai acontecer? Daqui a pouco toda a fronteira está demarcada como área indígena, tirando toda a presença de não índio, de militares dessa área e deixando apenas sob a jurisdição apenas dos índios de manter a soberania e a vigilância dessa fronteira. Esse é o perigo”, afirma o governador.
“Não é ameaça à soberania nacional. Lá na reserva Raposa Serra do Sol existem três pelotões onde o exército deve cumprir seu dever constitucional. Então, por aí, não é uma ameaça porque nós acreditamos na nossa instituição legalmente criada que é o exército”, diz o líder indígena, Júlio Macuxi.
O governo de Roraima quer um plano de desenvolvimento econômico sustentável dentro da reserva, que inclui a construção de uma hidrelétrica no rio Cotingo. Índios ligados a Sodiur, associação que defende a permanência de arrozeiros e comerciantes, apóiam a idéia. “Uma área imensa, que dá para nós trabalhar, dá para nossos filhos trabalhar, dá para outros não índios trabalhar porque são parceiros”, defende o líder indígena Adelino Pereira.
A exploração das riquezas também está nos planos do CIR, o Conselho Indígena de Roraima, que exige a saída de todos os não índios dali. Desde 2003, a maior ONG ambientalista do mundo, a The Nature Conservancy, que recebe dinheiro dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e França financia o CIR em projetos para identificar áreas de agricultura, pecuária e até de mineração - atividade ainda não aprovada por lei.
“Nós acreditamos que é possível, assim como existe em outros lugares do mundo, que os indígenas participem de atividades minerarias, desde que isso seja muito bem regulamentado pelo governo brasileiro”, defende a representante da ONG no Brasil. Ana Cristina Barros.
O trabalho de ONGs e igrejas é visto com desconfiança por militares, que temem a influência de estrangeiros sobre os índios. Outra preocupação é o contrabando de ouro e pedras preciosas.
Apesar da presença de pelotões dentro da reserva, oficiais dizem que estrangeiros podem circular sem controle na terra indígena e atravessar livremente o rio Maú, que faz divisa com a Guiana, onde o barqueiro faz a viagem sem qualquer fiscalização.
O general Heleno Ribeiro, comandante militar da Amazônia, criticou a política indigenista do governo e por isso foi repreendido pelo presidente Lula. “É só ir lá olhar as comunidades indígenas para ver que essa política é lamentável, para não dizer que é caótica”, disse o general em abril.
“O que está em jogo é o fato de se estar criando uma situação de risco, que pode vir a se transformar numa ameaça concreta a soberania do país”, acredita o general Alberto Cardoso. O general, ex-chefe do gabinete militar da presidência, reflete uma corrente de opinião dentro do exército. Assim como muitos oficiais, ele acredita que num cenário de radicalização, os índios possam ser estimulados a criar um estado independente.
“Basta que se decida, que ali tem um território, tem uma nação, vamos criar um estado e transformar esse estado em algo independente. Um ente político independente e aí já se foi a nossa soberania e vai se criar uma situação conflituosa”, dia o general.
Para ONGs, a Igreja Católica e os índios do CIR, a preocupação dos militares não faz sentido. “Se a igreja tem algum pecado é de trabalhar pela promoção da vida e da dignidade das pessoas e esse pecado nós não temos medo de confessar”, diz o bispo de Roraima, Dom Roque Paloschi.
“Nós acreditamos que dizer que os povos indígenas são ameaça à soberania nacional é crime de racismo contra os povos indígenas", diz o líder indígena, Júlio Macuxi.
Nas próximas semanas, o Supremo Tribunal Federal vai decidir se a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, de forma contínua, será mantida como quer a Funai ou se será feita uma revisão do processo, como pede o governo do estado de Roraima.
O julgamento não definirá o caso de Roraima, mas não resolve uma questão ainda maior: o que queremos fazer com a Amazônia e como vamos tratar nossos índios?
                                 Mais pedras de diamantes são apreendidas
Minéia Capistrano quarta-feira, 2 de agosto de 2006
Pimenta Bueno/RO - Mais 666 pedras de diamantes extraídas ilegalmente da Reserva Roosevelt, foram apreendidas no último final de semana, durante operação realizada pela Polícia Rodoviária e pela Polícia Federal. As pedras estavam sob posse do empresário Douglas Ferreira de Lima, considerado um dos maiores compradores de diamantes de Rondônia. A apreensão corresponde a aproximadamente 350 quilates, a maior do ano.
O diamante foi apreendido na cidade de Pimenta Bueno. As pedras estavam sendo transportadas pelo empresário, que dirigia um veículo Santana, placas JZB 1174, de Porto Velho, quando foi abordado e preso por policiais rodoviários federais. Os policiais encontraram dentro do carro, uma balança de precisão e questionaram a utilização do equipamento.
Em vistoria, descobriram as pedras de diamantes camufladas na cueca do comprador. Douglas Ferreira declarou que comprou as 666 pedras de diamantes em apenas uma semana na cidade de Cacoal, mas não deu nenhuma pista à polícia sobre com quem comercializou os minérios, porém questionou a legalidade da extração e a cobrança de impostos sobre a retirada.
Exploração paralisada
O comandante da operação, delegado Rodrigo Carvalho acredita que o minério tenha sido extraído no tempo que o garimpo ainda estava sendo explorado, uma vez que, segundo ele, não há condições de retirada de pedras atualmente. “Ainda ontem fizemos uma vistoria aérea na reserva e verificamos que não há nenhuma máquina trabalhando no local”, explicou.
A retirada de minérios na reserva Roosevelt é proibida e a região está sob vistoria de policiais federais, com o respaldo dos indígenas que habitam o local. Na reserva, localizada a aproximadamente 100 quilômetros da cidade de Espigão do Oeste, vivem cerca de 1,3 mil índios de etnia Cinta Larga.
De acordo com o coordenador de Operações Especiais de Fronteira, Mauro Sposito, os diamantes apreendidos nesta operação foram encaminhados ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DMPM) onde serão leiloados junto com outros minérios, apreendidos em operações passadas. Outra apreensão de diamantes significativa aconteceu em novembro último, quando foram apreendidos 300 quilates do minério.
Fonte:Amazoniaavista.com
26/04/2004 - 20h13
    CINTA-LARGA DIZ QUE GARIMPEIROS FORAM "MASSACRADOS" EM RONDÔNIA
Agência Folha, em Pimenta Bueno (RO)
O gerente do garimpo da terra indígena Roosevelt, em Espigão d'Oeste (534 km de Porto Velho), o índio Pandere Cinta Larga, 30, disse que foi massacre o assassinato de 29 garimpeiros por índios guerreiros ocorridos dentro da área no último dia 7, mas negou ter participado da chacina.
Ele afirmou que outros 35 garimpeiros, tidos como desaparecidos após o massacre, permanecem dentro da terra indígena em busca de diamantes contra a vontade dos cintas-largas.
Os índios guerreiros, segundo o gerente do garimpo, ainda não descobriram o local em que os homens trabalham. Pandere não falou sobre a possibilidade de um novo massacre. "Preciso conversar com o Pio [Cinta Larga, líder da aldeia] antes de dar a nossa versão", explicou o índio.
Na versão do gerente, cerca de 200 garimpeiros, entre eles os 29 assassinados, tinham invadido a terra indígena no final de março em busca de diamantes.
"O Baiano Doido [Francisco das Chagas Alves Saraiva, 40, um dos morto pelos índios] disse que só morto sairia da área", afirmou Pandere. Saraiva teria sido o primeiro a morrer. "Ele xingou os guerreiros de vagabundos e preguiçosos", quando foi surpreendido no garimpo, disse o gerente.
Dias antes do massacre, os garimpeiros, segundo os índios, rasgaram o estofado da camionete de um líder dos cintas-largas, aumentando o clima de tensão.

PÃO E CIRCO PARA O POVO, LUXO PARA OS PODEROSOS

Uma matéria assaz interessante veio à tona e se refere à gastança dos militares. O Dinheiro público tem sofrido cacetadas e mais cascudos dos que fazem o poder público. A Revista “Isto É” na sua edição de nº. 2062/ano 32/ de 20/05/2009, reza sobre o assunto. Quem usa o dinheiro público que não seja exclusivamente em benefício público condenamos, sejam civis ou militares. O imposto público muitas das vezes pago a custa de suor e lágrimas deveria ser gasto com planejamento e responsabilidade. A carga tributária deste País é um acinte aos contribuintes, pois é pesada e o número de impostos muito grande e ainda querem criar mais impostos.
“A despesa das Forças Armadas cresce 300%. Em defesa? Não. “Em hotéis, apartamentos funcionais, restaurantes, choperias e festas, segundo afirma o jornalista responsável pela matéria Cláudio Dantas Siqueira”. Os velhos cartões corporativos ainda aprontando contra os cofres públicos, e conforme o jornalista não é mais exclusividade do Congresso Nacional. Afirma que no âmbito do Ministério da defesa e das Três Forças somaram mais de R% 2,2 milhões, equivalente a um aumento de 300% em relação ao ano de 2007. Segundo apuramos através de pesquisas a Marinha tomou partido e vai verificar e investigar gastos com cartões corporativos.
Brasília - O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, disse que determinou uma verificação de todas as despesas feitas pelo órgão com cartões corporativos para analisar possíveis irregularidades. Ele acredita que os gastos estão dentro do que é previsto em lei. “Para ter certeza absoluta de que isso não ocorreu, mandei fazer uma verificação rigorosa de todas as despesas. Todas as despesas exigem uma nota fiscal e essa nota comprova exatamente o detalhe do gasto. E é isso que os órgãos de controle da Marinha vão fazer”, afirmou. Segundo Moura Neto, não foi estabelecido um prazo para examinar os gastos. Sabrina Craide-Repórter da Agência Brasil-As declarações foram dadas a jornalistas depois da cerimônia de passagem de comando de duas secretarias do Ministério da Defesa.
Moura Neto respondeu a informações publicadas na imprensa de que a Marinha foi o órgão das Forças Armadas que mais gastou com cartão corporativo no ano passado. Segundo os jornais, R$ 915,7 mil foram gastos em 2007, inclusive em lojas de chocolates, vinhos finos e artigos de pelúcia. Entre julho e novembro de 2008, o major Carlos Alberto Aoki Lote, do Estado maior Exército (EME), por exemplo, gastou R$ 39,2 mil em diárias de hotéis, contratações de serviços de operadoras de turismo, locação de veículos e refeições em churrascarias, e na pousada Penhasco, paradisíaca estalagem na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. O gasto auferido pelas três forças atingiu a cifra de R$ 3,5 milhões de gastos com cartões corporativos das três Forças Armadas e do Ministro da Defesa.
O Ministro da Defesa Nelson Jobim é o nome mais indicado para informar quem autorizou os gastos pelo seu Ministério. Citamos ainda o que Moura Neto disse: que não sabe o que foi comprado, mas garantiu que não houve nenhuma compra de brinquedo de pelúcia. “O que aparece no Portal da Transparência é que foi feita uma compra numa loja que se chama Paraíso da Pelúcia. Não necessariamente é um brinquedo de pelúcia”, explicou. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que não há nada a esconder, e que o ministério está tranquilo com a possibilidade de investigação dos gastos com cartão corporativo por uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. “Pedi aos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e também ao secretário de Orçamento do Ministério da Defesa para fazer um exame completo e preparar as informações que serão necessárias à CPI.”, disse, lembrando que o Ministério da Defesa não usa cartões corporativos.
A Agência Brasil através da repórter Sabrina Craide Repórter da Agência Brasil repassou estas nuanças referentes a gastos com cartões corporativos por militares das três armas. A farra dos cartões como está sendo batizada pela revista ainda vai causar muita ressaca com direito a Engov e Glicose. Segundo o que apuramos na “Isto É”: Marinha de 2006/2009 gastou o equivalente a R$ 1.335.819,00. O Exército nos 4 anos R$ 1.239.037,00, a Aeronáutica R$ 690.338,00 e o Ministério Da defesa de Nelson Jobim gastou R$ 239.404,00. Total dos gastos nos quatro anos R$ 3.504.622,00 por sinal uma soma bastante significativa. O Ministério da Defesa gastou em 2008 na compra de imóveis funcionais R$ 29,3 milhões de reais. Tem outros detalhes de menor destaque.
A Revista Veja diz que: “Cartões corporativos seis funcionários e dez servidores ligados ao gabinete de Lula gastaram R$ 3,6 milhões. Pegando um gancho ou um deixa da jornalista Sônia Filgueira e do jornalista Leonencia nosso do Estadão trouxemos ao conhecimento dos leitores de blogs e mesmo da internet os seguintes aspectos: “Os dez funcionários responsáveis pelas despesas relacionadas diretamente ao gabinete da Presidência gastaram em 2007 com cartões corporativos um total de R$ 3,6 milhões. Há, por exemplo, faturas de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua comitiva, urgências com a manutenção dos palácios presidenciais, pagamento de eventos sociais nas residências oficiais e despesas de Lula e da primeira-dama Marisa Letícia. O gasto equivale a 58,6% do total usado, no mesmo período, pelos 154 servidores e assessores lotados na Presidência que dispõem de cartões.
Os nomes dos ecônomos - assessores responsáveis pelo registro, administração e prestação de contas das despesas feitas com cartões -, identificados pelo Estado, encabeçam uma lista de milhares de assessores e funcionários do governo que utilizaram o “dinheiro de plástico” em 2007. A relação foi elaborada pela assessoria de Orçamento do DEM, a partir de pesquisa no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que registra todas as despesas orçamentárias executadas pela administração pública. Conforme a pesquisa, esses assessores apresentaram, individualmente, as mais elevadas contas do governo ao longo do ano passado.
Dos dez nomes identificados, sete ocupam as primeiras colocações na lista dos maiores gastos. O ecônomo João Domingos da Silva Neto é o primeiro colocado: em 2007, o cartão sob sua responsabilidade acumulou uma fatura de R$ 585,9 mil. É o dobro do gasto da ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, que se demitiu na semana passada após a revelação de irregularidades com o cartão. É uma crueldade com os contribuintes que se esborracham de trabalhar para custear mordomias das mais diversas nuanças e finalidade. Estes fatos não nos causam estranhamentos, pois vivemos num País chamado Brasil, rico, gigante pela própria natureza, sugado, surrado mais ainda continua forte e firme, apesar de ter enriquecido muita gente ilegalmente, pois os que agiram assim passaram o tempo todo mamando e auferindo as benesses dos cofres públicos da Nação Brasileira.

O TRABALHO ESCRAVO EXISTE POR CAUSA DA GANÂNCIA HUMANA

O trabalho escravo envolve produtores e empresas de todo tipo e todo lugar, em vários cantos do Brasil. Casos de escravidão são noticiados em jornais nacionais e internacionais; não passa semana e mês sem novo caso... Você se lembra do caso Inocêncio de Oliveira? E as denúncias publicadas em destaque no jornal americano New York Times? A escravidão existe em quase todos os estados do Brasil. Está no Estado do Mato Grosso, que tanto exporta quanto explora mão-de-obra escrava.
Também no Pará, no Maranhão, em Tocantins, assim como no Piauí, na Paraíba, em Rondônia, na Bahia, e até em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Os campeões? Pará, Maranhão e Mato Grosso. As vítimas da escravidão têm todas as idades: trabalhadores adultos e idosos, jovens, mulheres, crianças, adolescentes. Libertar escravos no Brasil do século 21 virou notícia comum... 115 anos após a abolição da escravatura!
Trabalho escravo: uma armadilha bem planejada
Na ponta da linha, principalmente no Nordeste, há muita pobreza; falta trabalho decente. No meio, há pensões e dormitórios onde peões aguardam hipotético empregador. O dono da pensão, a dona do hotelzinho já estão combinados com os empreiteiros: lá vem o “gato”, que paga a conta atrasada dos peões, faz promessas mirabolantes e leva o pessoal, já endividado, para a empreitada. Às vezes, o sistema já está integrado como, por exemplo, no caso do Sr. Salu, em Açailândia – MA, que é, ao mesmo tempo, “gato” e dono do Hotel Pioneiro.
Campanha contra o trabalho escravo no Brasil
“Os quarenta trabalhadores foram levados de Açailândia até Paragominas e de lá para a fazenda Vitória. Eles foram agenciados por um “gato” conhecido como Salu. Ele seria o proprietário do Hotel Pioneiro, em Açailândia, onde os trabalhadores eram alojados e contraíam as primeiras dívidas, antes mesmo de chegar ao Pará. Além do hotel, Salu também estaria usando casas alugadas para alojar os trabalhadores”. (O Liberal, 01/07/03). O “gato” é a figura central do trabalho escravo.
Atrás dele esconde-se o dono da fazenda. A região de maior aliciamento é o nordeste: dois, em cada três escravos, são do nordeste: Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia, Alagoas; ou, de lá, já migraram para o Pará, Tocantins ou Mato Grosso. A região principal de destino é, atualmente, a nova fronteira do desmatamento, no sul do Pará: Marabá, Novo Repartimento e Terra do Meio (Iriri). A viagem começa de ônibus, passa para o caminhão, até caminhão de gado, trator, barco, a pé, e mesmo de “avionete”. Chegando, o peão não tem mais saída.
Campanha contra o trabalho escravo no Brasil
Não tem volta. Está preso. Sem precisar de capangas para vigiá-lo. A realidade é bem diferente do prometido... Alojamento, não tem; sanitários, não tem; alimentação, também não. Está tudo por fazer. Aos poucos, o trabalhador sente na carne que tudo foi mentira, que foi iludido. Começa a procurar um jeito de ir embora, mas, naquela cantina onde compra sem saber do preço, cresceu uma dívida que nem ele conhece. Tem aquela arma onipresente, ameaçadora, dissuasiva, do capanga.
Até sua própria liberdade lhe vem sendo descontada, dia após dia. No caderno de um “gato”, encontrado na fazenda Carui, no Maranhão, está escrito em todas as letras, entre arroz e sabão, entre café e querosene: compra de liberdade. E, na hora de receber, o trabalhador descobre que é ele que está devendo, é ele que paga para trabalhar. Portanto, o trabalho escravo é promessa enganosa, é trabalho forçado, em péssimas condições, sem receber... é uma dívida crescente, são ameaças, o impedimento de sair. Fugir?
Alguns poucos heróis resolvem fugir e conseguem, enfrentando barreiras, pistoleiros, sede e fome. Um ou outro desses fugitivos chega para informar e denunciar a situação de quem ficou lá, preso.
Para apurar as denúncias, o Governo criou, em 1995, o Grupo Móvel de Fiscalização. Suas características lhe garantem independência, isenção, qualificação. Seus membros são voluntários. Reúne voluntários entre fiscais do trabalho, policiais federais, procuradores, fiscais do Ibama, etc. Sua função é apurar as denúncias e resgatar os trabalhadores do cativeiro. Opera em condições difíceis, perigosas. Sempre “no limite”. Seus objetivos são: libertar os trabalhadores, pagar-lhes o que lhes foi sonegado, calcular valores a receber, pressionar o patrão a pagar na hora. E, aproveitando, expedir a Carteira de Trabalho que, para muitos, é o primeiro documento de identidade de sua vida, o primeiro sinal de reconquista da cidadania.
Nota triste
Chegando em casa, ou de volta à pensão, o peão libertado está feliz da vida. Cheio da grana, faz farra por duas noites... e, logo mais, volta para outra empreitada. É que, sem alternativa à vítima, nem punição aos escravizadores, a escravidão só tende a crescer, a explodir. Onde? Principalmente na pecuária e no desmatamento que a precede. Onde? Pela ordem: no Pará, no Mato Grosso, no Maranhão. E, de forma mais esporádica, também em outros estados, onde pode ser simplesmente desconhecida.
Por isso, apesar dessa aparente eficiência, verifica-se a insuficiência de uma ação puramente fiscalizadora. Tirar da escravidão não é erradicar o trabalho escravo como sistema, alimentado, de forma complexa, por tantos fatores. A fraqueza do combate ao trabalho escravo tem incentivado a ousadia dos infratores, tais como: abandonar fiscais e peões no meio do mato, desafiar publicamente as autoridades federais, mandar assaltar os carros da Polícia Federal que apóia o Grupo Móvel (como ocorreu no ano passado!).
Ou publicar, no jornal local, aviso de abandono de emprego, visando aqueles que fugiram da fazenda para denunciar a Carteira de Trabalho nunca assinada, mas seqüestrada. (Fonte: relatórios de fiscalização da Secretária da Inspeção do Trabalho (SIT) – Grupo Móvel, 1996-2003)
                              No âmago da questão: cobiça e impunidade...
A opção preferencial pelo agronegócio vai continuar a ser paga com florestas... e trabalho escravo! (Marcelo Leite, editor de Ciência da Folha de São Paulo, em 11.04.04). Aqui vai um exemplo emblemático de impunidade: o Sr. Quagliato, pecuarista no sul do Pará, dono de 13 fazendas e de 250.000 cabeças de gado, líder mundial em questões de inseminação artificial, já denunciado oito vezes por trabalho escravo, mais a nona neste ano... e nunca condenado! Recente relatório de experts da Organização Internacional do Trabalho (OIT) constata que, apesar de tantos peões resgatados nos últimos 7 anos (mais de 5.000), não se tem registro de mais que duas condenações penais de proprietários e quatro de empreiteiros.... E qual a condenação? Entregar cestas básicas à vizinhança!
De onde vem tamanha impunidade?
Muitas vezes, vem de juízes omissos no dever de julgar com justiça os autores desses graves delitos, apesar das provas apresentadas pelo Ministério Público do Trabalho. Outras vezes, vem da Justiça do Trabalho que, até a criação das Varas itinerantes, em 2002, esteve praticamente ausente no sul do Pará. Resumindo a situação que tem prevalecido: à justiça comum não interessa, à Justiça Federal não compete, à Justiça do Trabalho? Não há Justiça do Trabalho! Então, é fácil imaginar o resultado...
Nada de estranho, portanto, neste ranking:
De 10 infratores reincidentes, identificados nas denúncias colhidas nos primeiros 8 meses de 2002, um é reincidente pela décima vez (Jairo Andrade), outro pela nona vez (Quagliato), outros pela sexta ou sétima vez, chegando à média absurda de quase cinco reincidências... sem processos. Por isso, é urgente a mudança e muita coisa deve mudar ainda. Já existe amplo consenso sobre as principais mudanças: competência federal, pois o crime de escravidão fere direitos humanos fundamentais; confisco da terra; multas reforçadas; interiorização da Justiça do Trabalho; melhor conceituação legal do trabalho escravo.
Avanços
A partir de 2002, a mobilização contra o trabalho escravo aumentou bastante. E tem havido avanços concretos. Já se constataram progressos na mobilização e articulação das instituições competentes para o combate ao trabalho escravo: Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Justiça do Trabalho, OIT, etc. Veja os exemplos: Dezembro de 2002: o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, ao julgar um processo relativo a trabalho escravo, conclui, por unanimidade, pela competência da Justiça Federal.
Com a decisão, ficou mantido o decreto de prisão contra Joaquim Montes. O fazendeiro foi denunciado pelo Ministério Público Federal pela prática de vários crimes, entre eles formação de quadrilha, homicídio e submissão de pessoas à condição análoga a de escravo. Novembro de 2002: Juiz do Trabalho condenou ao pagamento de indenização por danos coletivos. Dezembro de 2002: o Juiz do Trabalho decretou o bloqueio das contas de fazendeiro que se negava a pagar os direitos dos trabalhadores....
O Juiz bloqueia conta de fazendeiro acusado no sul do Pará e 95 trabalhadores foram libertados. Em 2003: foi planejada uma ação mais integrada entre Grupo Móvel, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal. Doravante será possível ver a situação in loco e tomar as previdências cabíveis. Leia as palavras do Juiz Sérgio Polastro: “(...) Muitos trabalham doentes, com malária, dengue e problemas renais. Alguns deles também se acidentam em serviço.
Um trabalhador, em especial, chamou a atenção pela gravidade do problema. Um pedaço de madeira atingiu seu olho esquerdo. O “gato” não permitiu que ele procurasse cuidados médicos. Como o inchaço do olho estava impedindo o bom andamento do serviço, o trabalhador foi liberado. Hoje está cego de forma irreversível, sem qualquer amparo previdenciário. Somente quando chegamos aqui e olhamos nos olhos desses trabalhadores e de suas famílias, que estão acostumados a sofrer as piores humilhações sem reclamar, como se isso fizesse parte de suas infelizes existências, é que compreendemos a real dimensão e importância deste trabalho” (...)
         EXEMPLO DE  PESSOAS ENVOLVIDAS COM TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL
                 SÓCIO DA FAMÍLIA SENNA NA LISTA DO TRABALHO ESCRAVO
o Ministério do Trabalho inclui em novo cadastro sócio do pai do ex-piloto de Fórmula Um em fazenda onde 82 trabalhadores foram resgatados em “condições degradantes”
Perto de completar três anos de tramitação na Justiça, a denúncia de exploração de trabalho escravo numa fazenda que pertenceu à família do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna ganhou novo desdobramento. O Ministério do Trabalho incluiu na versão atualizada da chamada lista suja do trabalho escravo o nome do administrador do empreendimento rural onde 82 trabalhadores foram resgatados em “condições extremamente degradantes” no começo de 2007.
Na época, o administrador Ricardo Ferrigno Teixeira era sócio de Ubirajara Guimarães e Milton Guirado Theodoro da Silva, pai de Ayrton Senna, na propriedade autuada, a Fazenda Campo Aberto, um condomínio rural de 6,1 mil hectares localizado no município de Barreiras, no oeste da Bahia, dedicado à produção e exportação de grãos.
FONTE - LEIA ESSA REPORTAGEM NA ÍNTEGRA

                                        O CASO INOCÊNCIO DE OLIVEIRA
Os trabalhadores considerados “escravos” na fazenda do deputado federal Inocêncio de Oliveira tinham “um orgulho ingênuo de estarem trabalhando para uma pessoa tão importante e poderosa”. Segundo eles, o deputado costumava ir nos barracos “atravessando o rio a cavalo, enquanto os trabalhadores atravessavam a nado”.
Essa e outras afirmações dos trabalhadores constam da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, em outubro de 2003. O deputado foi condenado, no ano passado, a pagar uma indenização de R$ 530 mil por submeter 53 trabalhadores rurais a condições similares à escravidão em sua fazenda.
Ele foi condenado também, em outro processo, a se abster de explorar mão-de-obra escrava e de aliciar menores de 16 anos para trabalhar em suas fazendas. Ainda cabe recurso.
Leia a denúncia apresentada pelo MPF:
PGR N.º 1.00.000.009077/ -2002-60
INTERESSADO: DEPUTADO FEDERAL INOCÊNCIO DE OLIVEIRA
ASSUNTO: OF/Nº 1287/02/PGT – DENÚNCIA INQ/2054
EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL,
O Ministério Público Federal ajuíza DENÚNCIA contra:
1. Inocêncio Gomes de Oliveira, brasileiro, casado, médico, Deputado Federal, podendo ser encontrado na Câmara dos Deputados - Praça dos Três Poderes - Gabinete 26, Anexo II.
2. Sebastião César Marques de Andrade, qualificado as fls. 57, dos autos do PA 9077/02, que integram esta denúncia, pelos seguintes fatos delituosos: 1.00.000.009077/2002-60
I. Dos Fatos
1.O Grupo Móvel de Fiscalização da Região 04, do Ministério do Trabalho e Emprego constatou, no período compreendido entre os dias 19 a 27 de março de 2002 que na Fazenda Caraíbas, situada no Município do Dom Pedro Maranhão, delitos contra a liberdade e contra a organização do trabalho foram consumados pelos acusados.
2. Em anterior pronunciamento nosso, transcrevemos depoimentos dos trabalhadores e dos chamados "gatos", ou intermediadores, no aliciamento dos trabalhadores para a roça da juquira, na Fazenda Caraíbas verbis:
"8. Com efeito, depôs Vicente de Pinho Borges e disse, verbis:
"Que ao chegarem à Fazenda Caraíbas, foram levados para
alojamentos precários, sem piso e sem qualquer iluminação, bem como sem instalações sanitárias; Que os 15 (quinze) trabalhadores
ficaram alojados no local ora descrito; Que, ao iniciarem suas atividades, cuja tarefa consistia em roço de juquira, passaram a trabalhar sob as ordens do gato VICENTE, o qual informou aos trabalhadores e ao declarante que o adiantamento que havia sido fornecido aos mesmos seria descontados posteriormente bem como as botas e ferramentas de trabalho (foice) que lhes foram entregues pelo referido gato VICENTE, naquela ocasião,
Que a água fornecida aos trabalhadores era retirada de um cacimba infestado de insetos e "copa-rosa"; Que a alimentação fornecida era de péssima qualidade e era composta apenas de feijão e arroz (no almoço e no jantar), e que o café da manhã consistia apenas em café puro e farinha de puba; Que a alimentação também seria descontada, conforme lhes informou o gato VICENTE, que anotava em caderno todos os gastos com os trabalhadores, inclusive as despesas realizadas com o transportes dos referidos trabalhadores para a citação Fazenda Caraíbas". (vide: fls. 71)
9. Prosseguiu Vicente, verbis:
"Que no dia 08.03.02 Sexta-feira, o gato VICENTE, a pedido dos trabalhadores, fez o acerto de contas e informou ao final, que dos 15
(quinze trabalhadores apenas 05 (cinco) tinham saldo a receber, no valor de R$ 20,00, sendo que o declarante nada recebeu, pois, segundo o gato 1.00.000.009077/2002-603 VICENTE, suas dúvidas correspondiam aos valores dos dias trabalhados;
Que , para retornar ao seu município foi necessário que os 05 (cinco) trabalhadores que tiveram saldo pagassem as passagens dos demais e inclusive a sua; Que, para sair da fazenda, percorreram cerca de 09 (nove) quilômetros, digo 15 (quinze) quilômetros a pé, até chegarem à cidade de Espírito Santo-MA, de onde retornaram à União-PI.
Que no local de trabalho (Fazenda Caraíbas) ainda ficaram vários trabalhadores, sob as ordens de outros gatos." (vide fls. 72/73) 10. Edilson Diniz Ferreira também esclareceu que, verbis:
"Num barraco de 6x4m ficam alojados cerca de 30 trabalhadores, não haviam instalações sanitárias; não era fornecida água potável (a água
para consumo era retirada do açude). Os barracos não têm paredes e são de terra batida. Muitas vezes foram encontrados animais peçonhentos, como cobras e aranhas dentro do barracão. O declarante informa que desde dezembro/2001 o acesso ao alojamento está alagado, sendo os trabalhadores obrigados a nadarem em locais onde a água alcança a altura do peito de um homem adulto para se locomoverem do alojamento até a sede da Fazenda, e de lá de volta para o alojamento." vide: fls. 75--)
LEIA NA FONTE.

CONHEÇA O DEPUTADO INOCÊNCIO DE OLIVEIRA

sábado, 1 de janeiro de 2011

ITACOATIARAS DO INGÁ PB

NIÈDE GUIDON - SUA VIDA & OBRA

Niède Guidon, arqueóloga é também uma verdadeira guardiã dos tesouros do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Seu trabalho científico é reconhecido internacionalmente. Niède defende a chegada dos primeiros homens á América há 58 mil anos,recuando a ocupação da América em 30 milênios.Por muitos anos a cientista foi ridicularizada por sua teoria.No entanto Niède tinha razão:Ferramentas de pedra encontradas no Boqueirão da Pedra Furada, em São Raimundo Nonato, Piauí, indicam que humanos habitavam o local há, pelo menos, 58 mil anos.




Niède é uma verdadeira guerreira, ela está sempre alertando para a importância da arqueologia, e sua preservação. Em 2004 vi um fragmento na revista Época que alertava para o abandono da Serra da Capivara, que seriam demitidos 79 funcionários que cuidavam da manutenção do parque, creio, por falta de verbas... Gasta-se fortunas nesse país com projetos de caráter duvidosos... Daí para algo de tão grande relevância como a preservação desse patrimônio. NÃO HÁ VERBAS, Ah meu Brasil, eu te amo, mas, não te entendo. Visitei recentemente as Itacoatiaras de Ingá na Paraíba. Outro tesouro arqueológico brasileiro. Já estive em são Raimundo, vou voltar lá, quem sabe até bater um papo com essa mulher incrível!


Niède Guidon, arqueóloga de idéias

Aos 71 anos, a arqueóloga Niède Guidon está mais ativa do que nunca. Sua luta pela preservação dos tesouros arqueológicos do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, prossegue já que, agora, a região está ameaçada por assentamentos
01/09/2010 - por Roberta Jansen na categoria 'Entrevista'
Não é exagero dizer que, se parte importante da saga dos primeiros brasileiros está preservada, é graças aos esforços de uma única mulher, a arqueóloga Niède Guidon. Verdadeira guardiã dos tesouros arqueológicos do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, Niède empenhou mais de 30 anos de sua vida à descoberta, ao estudo e, sobretudo, à proteção das relíquias pré-históricas encontradas na região.
Há anos, a arqueóloga trava uma luta solitária para obter mais recursos para o parque e transformar a região num pólo turístico, levando desenvolvimento sustentável para uma das áreas mais pobres do país. Considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1991, o parque abriga em seus 129.140 hectares mais de 700 sítios arqueológicos (500 deles com pinturas rupestres). É um verdadeiro museu a céu aberto, com mais de 30 mil pinturas revelando o cotidiano dos primeiros habitantes do país.
Lá já foram descobertos também esqueletos humanos com dez mil anos e fósseis de animais extintos, como tigres-de-dentes-de-sabre, preguiças-gigantes e mastodontes, além de cerâmicas e artefatos. Mas tudo isso corre o sério risco de se perder. À crônica falta de recursos e funcionários, soma-se agora o risco de invasões, com o assentamento precário de mais de 700 famílias em terrenos limítrofes.
Aos 71 anos, Niède não desiste. Continua lutando pela preservação do parque, onde trabalha há 34 anos e mora há 13, e do patrimônio arqueológico do país. Sua luta em pleno sertão já lhe rendeu ameaças de morte, sobretudo de caçadores locais que insistem em invadir o parque. Mas essa filha de uma família de classe média alta de Jaú, no interior de São Paulo, que passou mais de 20 anos em Paris, parece nada temer.
Todos os dias ela percorre o parque em sua caminhonete Nissan, devidamente munida de facões e machados. E continua, obstinadamente, denunciando as irregularidades na região e a falta de proteção aos tesouros do parque. Sempre foi assim na vida da arqueóloga. Em 1961, aos 28 anos e já formada em história natural pela USP, ela decidiu estudar arqueologia na Sorbonne, em Paris, onde acabou fazendo o doutorado.
Perguntada, certa vez, se a decisão causara estranheza na família, ela respondeu, no melhor estilo Niède: “Nunca perguntei nada a ninguém. Trabalho desde os 18 anos e faço as coisas de acordo com o que penso”. A arqueóloga voltou ao Brasil no início de 64. Mas, com o golpe militar, Niède, ligada à esquerda, se viu forçada a retornar à França, onde fez carreira na Escola de Altos Estudos — a conceituada instituição de pós-graduação em ciências sociais de Paris.
Nas rodas intelectuais da capital francesa, ela se tornou amiga de Fernando Henrique Cardoso e Celso Furtado. Niède só voltou definitivamente ao país em 1991, cedida pelo governo francês para administrar o Parque Nacional da Serra da Capivara.
— Fiquei muito feliz em ganhar o prêmio do GLOBO, foi uma das raras coisas boas que aconteceram neste momento difícil — diz a arqueóloga. — Mas acho que não mereço. Porque eu vim morar no sertão para não deixar essa riqueza se perder e ajudar a tirar essas pessoas da miséria. E minha luta ainda está longe do fim.
Leia entrevista com Niède Guidon:
O Globo - De que forma o conhecimento da pré-história é importante para entender o mundo de hoje?
Niède Guidon - É importante sabermos como a sociedade humana evoluiu, como essa tecnologia tão desenvolvida que temos hoje começou. E, sobretudo, é importante para constatarmos que essa tecnologia resulta da necessidade dos homens de viverem e se defenderem. Somos animais frágeis, não temos garras, nossos dentes são fracos. Não corremos muito, não subimos em árvores, não somos bons nadadores. E precisávamos garantir nossa sobrevivência em meio a uma fauna extremamente forte. A opção era desenvolver a tecnologia. Foi a tecnologia que garantiu nossa sobrevivência. Os homens compensaram sua (pouca) capacidade biológica com sua capacidade tecnológica. E a cultura nos permitiu sistematizar esses conhecimentos e transmiti-los a novas gerações. Devemos analisar hoje os limites desse desenvolvimento tecnológico, que já ultrapassou as necessidades de sobrevivência. Os homens começaram a criar novas necessidades que engendram o desenvolvimento tecnológico. O avanço do homem sobre a natureza será um dia irreversível em razão dessa necessidade de ter mais do que o necessário.
A senhora acredita que nosso passado foi apagado pelo colonizador?
- As populações européias que chegaram no Brasil pouco se interessavam pelos aspectos culturais dos povos que aqui viviam. Eles foram totalmente dizimados. Mais de seis milhões de índios foram assassinados, é um crime igual ao de Hitler. Eles foram mortos para que aqui se estabelecesse uma sociedade branca. Hoje, em vez de reconhecermos isso e darmos aos indígenas o justo valor que deveriam ter na sociedade, buscamos encobrir o passado, apresentando os índios como animais. Em vez de limparmos a ferida até o fim e permitir sua cura, deixamos crescer uma casca grossa e continuamos nos enganando. O índio é tratado como um brasileiro de segunda categoria. As sociedades indígenas são altivas, não são mendigas. Trata-se de um povo que preferiu morrer a ser escravo, o que revela uma grande dignidade.
A senhora luta há anos pela preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara. Qual a situação hoje? As coisas melhoraram?
 Não, desde que estou aqui a situação só piora. Diversas pessoas se instalaram numa área limítrofe, a oeste do parque, e o Incra anunciou que iria regularizar a situação das pessoas. Com isso, mais gente correu para a região e começou a desmatar, queimar e invadir para garantir o direito de ser assentado. A área é colada no parque, que é constantemente ameaçado com o fogo. Os assentados costumam fazer queimadas para abrir áreas de plantio e, com freqüência, o fogo invade o parque. Mas há também um outro assentamento, oficializado há quatro anos, a uns oito quilômetros dos limites do parque. Dessa área sempre vêm caçadores. Porque essas pessoas recebem um pedaço de terra e R$15 mil do governo, mas não conseguem cultivar nada e continuam vivendo na miséria. Isso não é reforma agrária. É preciso dar escola, ensinar tecnologia agrícola. De que adianta dar um pedaço de areia seca? Se chove eles comem, se não chove pedem esmola na cidade. Eles queimaram boa parte da floresta que era reserva legal; não têm a mínima noção de preservação. É uma catástrofe se produzindo ao lado do parque.
E a idéia de transformar a região num pólo de turismo?
- A situação atual nos leva a repensar a atividade porque é impossível continuar com o trabalho que visava à implantação do turismo. Hoje, em vez da paisagem maravilhosa que havia, o que se vê é um favelão. Em dez dias foram presas oito pessoas armadas, algumas com rifles, andando pelo parque. Como vamos desenvolver turismo desse jeito? Além disso, as obras do aeroporto que deveria estar concluído em abril de 2005, não avançam, embora tenham sido liberados R$4 milhões. Sem aeroporto não se pode fazer nada.
A senhora diria que existe um descaso por parte do governo?
- Acho que existe descaso total, acho que nem imaginam o que é esse tesouro que temos aqui. Mas o descaso não é só conosco, é com o Brasil todo. Um país desse tamanho teve só quatro milhões de turistas no ano passado. Para se ter uma idéia, Costa Rica, México e Quênia receberam muito mais turistas. Os países utilizam seu patrimônio cultural para atrair turistas. Mas a imagem que ainda se vende do Brasil é a da mulata nua dançando no carnaval do Rio.
A senhora acredita que sua ligação pessoal com Fernando Henrique Cardoso pode atrapalhar sua relação com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva?
- Fernando Henrique foi meu contemporâneo na USP. Somos de uma geração, da qual faziam parte também o Celso Furtado e o Rubens Ricúpero, que tinha uma maneira de pensar o Brasil. Sempre dizíamos que para o país mudar teria que haver desenvolvimento social, não econômico. Defendíamos um ensino público de qualidade. Atualmente se pensa muito no crescimento econômico, no PIB, e se deixa a juventude afundar na ignorância. Eu tinha muitos conhecidos no governo FH. Mas se isso for um problema para o governo de Lula seria um atestado de pouca inteligência. O que importa não sou eu, é a Serra da Capivara, esse patrimônio maravilhoso que pode mudar a vida de todos os miseráveis daqui. A situação atual é uma vergonha, sobretudo para pessoas de esquerda. Mas a minha esquerda é diferente dessa aqui.
Mas a senhora acha que FH conseguiu pôr em prática o que defendia? E Lula não?
- Existe uma doença que se chama brasilite e que acomete quem chega ao poder. Porque é preciso fazer a famosa base de sustentação do governo. Isso é contra a natureza porque junta esquerda e direita. E os governantes ficam impossibilitados de desenvolver um projeto. Acho o Brasil inviável hoje porque todo projeto público tem que comportar desvio de dinheiro. Se não mudarmos isso, vamos continuar subdesenvolvidos por muito tempo. Nada mudou com os militares, nem com os civis. Nem com Fernando Henrique, nem com o senhor Lula da Silva.