segunda-feira, 21 de junho de 2010

SOLIDARIEDADE MAIOR PARA O SUL...

Por que os desabrigados do Norte e do Nordeste, apesar de viverem o mesmo drama, estão recebendo menos donativos do que as vítimas da enchente de Santa Catarina?

(... ) Mas se o drama se repete agora no Norte e principalmente no Nordeste, a resposta solidária e as doações não têm sido na mesma velocidade e intensidade. Se naquela época a Defesa Civil de Santa Catarina chegou a ponto de pedir aos brasileiros que parassem momentaneamente de fazer donativos, uma vez que os estoques já não comportavam a quantidade de ajuda que chegava, agora as secretarias de Defesa Civil dos Estados do Nordeste e Norte pedem socorro. "O que recebemos é muito pouco, precisamos de muito mais doações", diz o major Abner Ferreira, da Defesa Civil do Maranhão, Estado com 95 municípios afetados pela chuva. "A campanha de doação de dinheiro para o Maranhão começou há três semanas e só temos cerca de R$ 21 mil. Em Santa Catarina, na primeira semana, já haviam sido arrecadados R$ 3 milhões", compara o major. Ele explica que com a quantia que tem disponível não consegue nem comprar uma embarcação motorizada para ajudar no resgate das vítimas. Sua percepção é partilhada pelo coronel Sérgio Gomes, assessor de comunicação do Corpo de Bombeiros do Ceará, Estado com 15 mortos pelo desastre natural. "Na época em que o Estado de Santa Catarina foi atingido houve uma mobilização muito maior do que a que está havendo agora, o que nós conseguimos é muito pouco", diz o coronel. A campanha Força Solidária para ajudar os cearenses só tinha arrecadado pouco mais de 65 toneladas de alimentos, 45 mil litros de água, 450 colchões e 221 mil peças de vestuário até a terça-feira 19. "Estamos tentando dar uma guinada na campanha agora, precisamos de redes para a população dormir, mais água, alimentos e produtos de limpeza", pede Gomes. O quadro é mais chocante quando, ao mesmo tempo que cestas básicas e água potável são disputadas no Norte e Nordeste, os fartos donativos que chegaram do Brasil inteiro ao Sul são desperdiçados em aterros sanitários ou vendidos por cidadãos de má-fé. Em Itajaí (SC) um carregamento inteiro de peças de roupa foi descartado no lixão porque apodreceu devido às condições de armazenamento. Em Rio Negrinho, também em Santa Catarina, o empresário Ismael Ratzkob foi preso com 330 mil peças de roupas e toneladas de alimentos provenientes de doações para os atingidos pela tragédia na cidade de Ilhota. Ratzkob completava seu orçamento vendendo doações a R$ 1.
Leia a reportagem na íntegra http://www.istoe.com.br/reportagens/13540_SOLIDARIEDADE+MAIOR+PARA+O+SUL?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

CADÊ A HONESTIDADE?

Trabalho desenvolvendo projetos sociais, outro dia ouvia uma reclamação de certa moradora de uma das comunidades que trabalho: Não podemos deixar nada na calçada que somos roubados. Dizia ela frustrada.  Dias depois meus tios que residem na zona rural de um pequeno município do Rio grande do Norte foram assaltados; poucos meses depois outros indivíduos foram novamente ao sítio, desta vez motorizados para roubar o todo o gado.
Certo avião caiu no Brasil anos atrás, objetos de seus passageiros foram furtados, dentre eles jóias e relógios.
De uns anos para cá quando os acidentes de transito envolvem caminhões carregados, esses também são constantemente saqueados, se não forrem vigiados, mesmo que seja no meio da mata atlântica. No Haiti depois do terremoto que destruiu quase tudo por lá. Os repórteres mostravam os saques me lojas e supermercados. Diante da tragédia das enchentes no Nordeste ouvimos algo bem parecido...
Ficamos com a vida, o que sobrou está sendo roubado...

Desculpe-me o autor Leconte Du Nouy que escreveu A Dignidade humana.
Seu conceito de que Nossa evolução não mais é anatômica, e sim  não está batendo com a realidade que está diante de nós. O que estamos vendo é uma globalização da desonestidade e da falta de compaixão. 
É Se eu fosse contar aqui quantas vezes fomos roubados aqui no Nordeste, mesmo desenvolvendo projetos sociais e gratuítos , talvez fosse taxada de melodramática.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

ALÉM DAS MONTANHAS AZUIS

Certo dia chegou em uma cidade ao sul do continente, uma jovem serena e franzina. aos 21 anos estava num processo de transformação, vinha de um lar simples onde verdade e honestidade eram requisitos ensinados e indispensáveis... mas havia feridas abertas em outras áreas... Deus lhe deu dons. Quando era apenas uma criança. Ele disse que a levaria além das montanhas azuis disse-lhe que a levaria por muitos lugares com propósito. Os anos passaram, situações conflitantes aconteceram, mas ela nunca desistiu de amar.

O treinamento foi árduo, ela precisava estar pronta em alguns anos, não sabia todo o percurso a trilhar, nem as dificuldades que passaria, no entanto, havia alguém poderoso ao seu lado, Ele sempre esteve perto.
Quando chegou na longínqua cidade deparou-se, com uma cultura diferente da sua, um povo com modo diferente de encarar seus sentimentos e frustrações. Ela logo percebeu que não seria fácil. Quando vieram os primeiros desafios, sentiu vontade de parar, esquecer que tinha  um alvo a alcançar. Mas, quando isso acontecia sentia-se fortalecida para continuar... Sem tirar os olhos de Deus prosseguiu...
Chegou na cidade na mesma época em chegava á cidade, um novo pastor com sua família, veio de um lugar distante, para ficar a frente da igreja.
Mesmo cansado depois de alguns anos num campo missionário da África; ele encarou o desafio trabalhar na restauração daquelas pessoas, pedras vivas, mas, um tanto sem o brilho no momento...
Em cada novo sermão suas palavras traziam ensino, sua voz doce e agradável aos ouvidos fazia com que aquele ambiente se tornasse agora acolhedor e não ameaçador.
A garota após casar-se passou a morar na cidade com sua família...
Agora madura e convicta de seus objetivos... passou a expressar seu desejo de ir além, de cumprir o propósito estabelecido por Deus em sua vida. Não pense que foi compreendida no momento...

FRAGMENTOS PELO CAMINHO

Lindo! O mundo é transformado quando pessoas saem de seu mundo e entram em mundos alheios levando amor, carinho, pão, ajuda... Eu amo tudo isso. Aqui fazemos alguma coisa também, está no site... Continuem, precisamos do vosso exemplo. Os famintos e maltratados desta vida esperam por vocês e quem mais se levantar. Que Deus vos abençoe! Me adicione no MSN, já enviei o pedido...  (Mauro)

A ONG Pão é vida está de parabéns, essa é uma grande iniciativa. Eu sou de Currais Novos / RN,  tenho muito orgulho de saber que a minha cidade tem pessoas com os olhos voltados para ajudar o próximo, mesmo quando o próximo não está tão próximo, nós procuramos ir a eles, Joana Você faz parte de um seleto grupo de Curraisnovenes com esse perfil como: Irmã Ananilha, Casa do Pobre, Monsenhor Paulo, criador do Abrigo dos Velhos, Hospital e Escolas. Wlater Antero da ONG tulipa, contra as drogas, Irmã Maura Cruz, retiro da Serra do Doutor e tantos outros, parabéns e que DEUS ilumine os nossos caminhos.
(Antonio Guedes filho – Currais Novos)

Apesar de morarmos bem perto e de nos vermos tanto no discipulado quanto nos cultos exaltando ao Senhor Jesus, decidimos deixar aqui registrado o nosso grande agradecimento pela imensa dedicação de vocês a comunidade carente de nossa região e também de tantas outras regiões que foram abençoadas com o fruto do trabalho de vocês.

Olá pessoal, assisti ontem a entrevista de vocés no programa do Faustão, fiquei muito feliz em ver que existem pessoas desprendidas e bem intencionadas como vocês. Gostaria de dizer que eu e minha família estaremos orando e pedindo ao Senhor que continue os usando e abençoando. Estaremos acompanhando por este site a trajetória de vocês.
Grande abraço.

Olá Joana sou de Currais Novos, da sua terrinha

Assisti a participação de vocês no Faustao...  só pude assistir porque a TV a cabo gravou e exibiu no programa TV cidade...
Minha mãe se chama Nicinha, e falou que você é da família da gente por parte do seu pai.. ela falou que você é da maniçoba e tal, falou muito bem de você... (John Paul)

Gostaria de parabenizá-los pela iniciativa, é incrível como às vezes achamos que temos tão pouco que não podemos ajudar ninguém, e surgem historias como as suas, e vemos o quão mesquinho somos. Parabéns mais uma vez e agradeço em nome do nosso sofredor, porém valente, povo sertanejo. Força na jornada e que Deus continue os abençoando sempre.
abraços.  (Alexandro Câmara).

Estou muito feliz pelo trabalho que vocês estão fazendo. Vi a reportagem na revista época. Espero poder estar com vocês em algum momento, quem sabe... Estaremos orando por vocês aqui em Belo Horizonte. Que o senhor derrame muitas bênçãos sobre a vida de vocês. parabéns pelo trabalho, e espero em breve, poder estar ajudando vocês de alguma maneira.
Um forte abraço.

AMAMOS A PÃO É VIDA! (Conseqüentemente seus criadores também...).Somos pequenos, temos pouco, mas, estamos à disposição e esperamos poder fazer algo de valia em prol da Pão é vida. Estamos muito felizes pelo sucesso dos projetos.
DEUS É FIEL! E os Guerreiros de Cristo à Liderança do General Ronaldo Henzel, com a Guerreira Joana D'Arc à sua retaguarda, avançam marchando, DESAFIANDO O GIGANTE NORDESTE afora, cumprindo todos as ordens do Marechal dos marechais JESUS CRISTO, Senhor de todos os senhores e Rei dos Reis.
Que Jesus Cristo continue abençoando e iluminando vocês com toda força e sabedoria que precisarem para dar continuidade a essa jornada tão preciosa.
Que a Paz e a Graça do Cristo Jesus venha a todos nós.

Marcos Filho e Patrícia, Santa Cruz do Capibaribe / PE, 21/01/2009.

CAMINHANDO NA LAMA

A  primeira experiência de missões entre nordestinos, foi uma lição de vida tremenda para mim. Aconteceu em Pendências no Rio Grande do Norte, estado em que nasci e vivi ate minha adolescência.
Éramos uma equipe composta por 9 missionários, uns de São Paulo, outros de Goiânia e do Nordeste. Já nos primeiros dias em que saímos para o evangelismo, conheci um senhor que aparentava ter uns 58 anos. Abordarmos sua esposa, que ouviu a mensagem de Cristo alegremente.

Ele se recusou nos ouvir dizendo que outra moça já havia falado com ele e havia prometido voltar lá em sua casa para um estudo. Eu ia todos os dias fazer o estudo bíblico com sua esposa e via seu Moacir pelas calçadas, ma, não participava do estudo bíblico...

Nos dias seguintes, quando eu perguntava pelos estudos, ele dizia que a moça ainda não tinha ido lá, mas iria fazer o estudo com ela.
Perguntei para a nossa equipe se alguém havia marcado um estudo naquela casa, eles foram unânimes em dizer que não. Respeitei a decisão do Sr. Moacir.

No dia em que eu ia embora da cidade de Pendências, estive em sua casa para uma última visita e para me despedir de sua esposa; ao chegar em sua casa a esposa dele disse: Moacir, conta para Joana o sonho que você teve esta noite. Que ela interpreta... Eu pensei, de onde ela tirou isso? Eu interpretar sonhos? E acrescentou que ele havia sonhado algo estranho...  Moacir começou a falar...

Sonhei que Jesus e 2 discípulos passavam aqui me procurando, eu os via e me escondia, quando eles passavam, eu via uma luz que os acompanhava, daí eu me via caminhando em uma lama que me sufocava... Eu fiquei pensando. O que isto significa?

Meus olhos ficaram marejados imediatamente, não era um sonho qualquer, mas uma revelação de Deus para aquele homem.
Seu Moacir passou vários dias nos dando desculpas para não ouvir a palavra de Deus. Jesus estava lhe dando uma oportunidade de recebê-lo...

Expliquei para ele que eu e o meu colega de equipe, missionário Antônio estávamos ali pregando o evangelho e que o próprio Jesus prometeu em sua palavra que quando saíssemos para pregar o evangelho, Ele estaria conosco todos os dias.

Peguei meu folheto as 4 leis espirituais e lhe expliquei o plano de salvação.
Perguntei no final se ele gostaria de convidar Jesus para fazer parte da sua vida.

Ele orou recebendo Jesus com olhos marejados e eu quase não consigo conter as lágrimas também...
Na última das 4 reuniões foram realizada na cidade de Pendências, eu já não estava lá, tive que voltar antes, mas, deixei a minha câmera fotográfica com outro missionário. Ele tirou várias fotos do último culto. Sabem quem estava lá? Seu Moacir e a família...

MINHA MÃE VALE UMA HISTORIA

Em meados dos anos 80 em uma casinha branca no Sertão nordestino, havia uma família peculiar, eu sou a segunda dos 4 filhos de seu Geraldo e dona “Marlene”, uma sertaneja forte, decidida e trabalhadora. Todas as manhãs, mamãe ia para a roça ajudar seu esposo capinar as terras. Seus filhos pequenos ficavam bem embaixo de seus olhos fazendo castelos de areia em meio ao roçado, numa área que mamãe escolhia cuidadosamente para brincarmos, longe dos carrapichos e formigas.
Esta é uma das mais doces lembranças da minha infância...

Antes do meio dia, ela apressava-se em ir para casa, preparar o almoço, pois seus filhos não podiam se atrasar para a escola que ficava cerca de 1 hora de caminhada, e eles iriam a pé. Mamãe jamais deixou que faltassem cadernos e lápis para nós, ela dizia: “o saber ninguém rouba da gente”.
Mamãe sempre nos contava histórias antes de irmos dormir. Certa vez nos ela nos contou que eu pai era mascate e que um dia teve que vender suas terras e mudar para outra região. Quando chegaram lá nas novas terras, enquanto não construía a nova casa eles moraram em baixo de umas pedras grandes por 1 mês. Chamavam “a loca de pedra”, acho que era um tipo de gruta.
Eu ficava imaginando como devia ter sido difícil para eles, então sempre agradecia a Deus por ter uma casa para morar.
Quando chegava seca, o que era normal para nós, fazia (e ainda faz) parte da vida dos sertanejos, as coisas ficavam mais difíceis, sem as chuvas, não podíamos plantar, o milho, feijão e mandioca. Vinham às frentes de emergências do governo federal, minha mãe alistava-se para podermos receber uma cesta básica e alguma remuneração. O trabalho era diário em uma mina, onde todos ficavam quebrando pedras naquele sol. Pedras brilhantes, “mica”. Não usavam para nada as pedras que quebrávamos, era um modo de manter as famílias ocupadas embaixo do sol escaldante. Lembro-me de certa vez sentar a mesa e ver papai agradecendo a Deus pelo alimento, ele sempre fazia isso. Mamãe serviu os pratos e ninguém conseguiu comer aquele feijão vindo na cesta básica, após uma noite inteira de molho, foi cozido desde 5:00 horas da manhã, ao meio dia, ele continuava incrivelmente crocante, amargava como fel...
Houve anos de seca que não tivemos as frentes de emergência, então minha mãe ia até a capital, comprava algumas peças de roupa e saía com meu irmão numa velha bicicleta vendendo ou trocando por galinha, cabrito, guiné ou mesmo por alimentos, era assim que sobrevivíamos naquele Sertão.
Poucas vezes em minha vida vi minha mãe chorar, eu não entendia, parecia tudo bem com nossa família, mas, eu era criança, não entendia a realidade de ser adulto naquele contexto. Talvez ela chorasse por saber que seus filhos tinham apenas feijão “cozido” em água e sal para o almoço, ou porque não soubesse o que eles comeriam no jantar.
Às vezes mamãe me chamava, íamos juntas buscar mandioca para o café da manhã seguinte. Descíamos por um caminho estreito, a caatinga seca arranhava nossa pele queimada do sol, minha mãe se colocava de joelhos e cavava para ver se encontrava a raiz, da mandioca, era nosso pão. Fazia diversas tentativas antes de achar uma raiz que servisse para um cozido (...). Por vezes voltávamos para casa sem nada, no entanto, mamãe jamais saiu pedindo coisas as pessoas, tão pouco saía contando aos outros nossa situação, ela nos ensinou princípios valorosos. Se chegarem numa uma casa e lhes for oferecido algo, podem comer, mas não peçam nada. Nunca peguem nada escondido! Dizia mamãe.
Quando a seca se prolonga no sertão sobreviver pode ser um desafio ...
Meus pais são casados legalmente a mais de 35 anos, minha mãe tem hoje muitos problemas de saúde, dentre eles, o conhecido como “mal de chagas”, pois em nossa casa no sertão havia um quarto sem reboco e os barbeiros, transmissores dessa doença, eram freqüentemente encontrados, caminhado pelas paredes ou em nossas camas. Eu amo minha família. Minha mãe ela é uma mulher sem igual: sua garra, coragem e determinação, me inspiram até hoje,. Ela me fez ver que nada é impossível quando nos propomos a lutar.
Depois de viver por mais de 10 anos longe do Sertão, voltei para realizar um sono proejtos de inclusão social e cooperar com a causa de Deus no nordeste.

Nascia a Pão é Vida. (http://www.paoevida.org/). Em 2007 tive minha história publicada na Revista Época, sob o título: Procuram - se mais brasileiros como estes. Revista Época Edição 479- de 23 julho de 2007. Fui selecionada entre mais de 500 brasileiros que desenvolvem iniciativas semelhantes. Já estive na TV Globo e diversas mídias do Brasil.

ESTRANHO FASCÍNIO PELO SERTÃO

Nascer e viver no Semi-árido nordestino foi uma experiência singular para mim.
 A caatinga sempre exerceu um estranho fascínio sobre mim. Os longos períodos de estiagem eram normais, porem sofridos...

Os animais morriam de sede e também porque ficavam fracos com falta de ração adequada, todos nos sofríamos, mesmo as plantas não suportavam a falta d’água e eu não suportava vê-los morrer de sede. Sempre chorava quando chegava no sítio do meu pai e me deparava com as plantas sedentas com suas folhas retorcidas...
Lembro em especial de umas laranjeiras que meu pai plantou em suas terras, quando elas já estavam perto de dar frutos...
Quando se iniciou mais uma seca. Meu pai, conhecedor da situação desistiu delas, mas, eu não comecei a regá-las carregando água de uma pequena cacimba em 2 baldes... O sol escaldante, Com o calor era intenso. Havia em meu coração adolescente a esperança de que Deus enviaria chuvas e eu veria seus frutos.
Dias depois dia os meus pais falaram que não adiantaria insistir naquilo, a cacimba já estava secando e a prioridade era poupar a água para suprir nossa casa.
Corri até uma das laranjeiras e vi que suas folhas clamavam por água, mais não havia água. Chorei muito aquele dia com os olhos fixos naquelas folhas retorcidas. Foi a 1° vez que eu questionei se Deus realmente existia, caso Ele existisse, será que eu estava pedindo muito? Queria apenas que a chuva caísse sobre minhas laranjeiras. O que eu não sabia era que para pedir algo a Deus eu precisava me reconciliar com Ele, antes. (Isaías cap.59) Eu acreditava n’Ele; isso não era o bastante? Ia sempre à missa com a mamãe e o papai. Isso não bastava? Porque as minhas laranjeiras e os animais tinham que morrer?
Lembro que passaram muitos meses até que caísse chuva naquele lugar...
Ao ver as gotas d’água caindo, eu saí dançando na chuva com uma flor no cabelo... Dancei durante toda a chuva, que durou uma tarde inteira... Eu dancei para Deus numa atitude de gratidão, queria que Ele me visse, e soubesse que eu precisava de pouco para ser feliz.